Diagnóstico e Urgências

Abscessos Dento Alveolares

Nível - Básico

As infecções odontogênicas estão entre os mais comuns tipos de infecções ocorrentes nas práticas de saúde. Seus estudos são de importância primordial, por acometerem a região de cabeça e pescoço, estando geralmente em grande proximidade do sistema nervoso central e de passagens respiratórias importantes, significando maior necessidade de rapidez no tratamento, estabelecendo a limpeza e a drenagem mecânica, assim como a terapia antibiótica, se necessária, impedindo o envolvimento de tais estruturas nobres (Baker & Fotos, 1994).


Dentre as infecções odontogênicas agudas, os abscessos periapicais são os mais freqüentes e de mais rápida evolução à gravidade. Têm como causa, principal, um dente com canais radiculares infectados, sendo a agressão por vezes violenta, podendo ser causada através de agentes químicos, físicos ou infecciosos (Moreira et al., 1999).


Os abscessos odontogênicos são processos de rápida evolução e quando devidamente tratados, de rápida resolução. O paciente pode sofrer dor espontânea profunda, aumento de volume intra e extra-oral e linfadenopatia.

Os casos mais severos podem provocar manifestações sistêmicas, como febre, dores de cabeça, falta de apetite, mal estar geral e celulite facial. A celulite facial é caracterizada por uma inflamação difusa dos tecidos faciais, causando aumento de volume extra-oral com consistência desde pastosa, até endurecida (dependendo da severidade), com ausência de pus. Seu aparecimento é rápido e severo no processo infeccioso (Peterson, 2000). É extremamente importante diferenciar o abscesso da celulite. O abscesso é a coleção de pus alojada no tecido, ósseo ou conjuntivo. A celulite é o aumento de volume provocado pela saída de plasma dos vasos e diminuição da drenagem linfática da região, características do processo inflamatório. Assim, para que possamos classificar o abscesso de intra ou extra-oral, o exame de palpação, principalmente de fundo de sulco é primordial. Quando detectado um aumento de volume, com ou sem flutuação, nessa região, o abscesso é classificado com intra-oral, mesmo que tenha celulite extra-oral, e deve ser drenado intra-oralmente. Quando da ausência desse aumento de volume, acompanhado de aumento de volume extra-oral, então podemos caracterizá-lo como abscesso extra-oral com celulite extra-oral, devendo ser drenado extra-oralmente, nesse caso, normalmente em ambiente hospitalar. O abscesso pode causar celulite, mas a celulite nunca vai causar um abscesso, pois é apens um processo inflamatório. Quando do comprometimento dos espaços submandibulares (Angina de Ludwig), pode haver edema de glote e morte por asfixia (Moreira et al., 1999).

É importante saber diagnosticar um abscesso quanto à sua localização clínica, onde a coleção purulenta está se acumulando (Sousa, 2000). Souza-Filho et al. (2001) classificam os abscessos periapicais em:

Intra-orais :

Subperiósteos – Pequeno ou nenhum aumento de volume intra-oral, dor aguda à palpação de fundo de sulco além de dor espontânea. Drenagem cirúrgica intra-oral com rompimento do periósteo. Não necessita antibioticoterapia, à exceção quando de envolvimento sistêmico.

Submucosos localizados – Aumento de volume intra-oral pequeno e localizado, pouca ou nenhuma dor. Margens bem delimitadas. Drenagem cirúrgica do tecido submucoso. Sem necessidade de antibioticoterapia.

Submucosos difusos – Aumento de volume intra e extra-oral, dor espontânea de leve à moderada. Necessidade de antibioticoterapia. Drenagem intra-oral submucosa.

Intra-óssea – Dor espontânea severa, sem quaisquer outros sinais e sintomas clínicos. Geralmente apresenta região radiolúcida associada ao periápice. Mais comum em mandíbula. Necessidade de trefinação da tábua óssea vestibular para drenagem purulenta da loja da lesão periapical ao meio externo. Normalmente a drenagem via canal não ocorre ou não alivia os sintomas. Uso de antibioticoterapia.

 Extra-orais:

Difusos – Grande aumento de volume extra-oral com dor variando conforme o estágio de evolução. Sem aumento de volume intra-oral. Necessidade de drenagem extra-oral em nível hospitalar e antibioticoterapia de apoio. Tratamento emergencial.

Localizados – Pequeno aumento de volume extra-oral com margens bem delimitadas. Sem aumento de volume intra-oral. Dor de leve à moderada. Drenagem extra-oral ambulatorial. Sem necessidade de antibioticoterapia.

O tratamento para qualquer tipo de abscesso, é a drenagem. Estabelecimento de uma via de comunicação entre o processo infeccioso e o meio externo, mantendo esta via. O processo só será interrompido, quando a coleção purulenta for eliminada dos tecidos. O tratamento aqui deve ser da conseqüência (pus) e em um segundo tempo da causa (infecção intracanal), com o tratamento endodôntico (Andrade, 1998).

No caso da drenagem, deve ser feitas uma incisão e divulsão no ponto de maior flutuação (intra ou extra-oral) para saída do pus. Lembrando que no caso de abscessos subperiósteos, a lâmina do periósteo deve ser rompida. A seguir, insere-se um dreno do tipo tubular, Penrose ou dique de borracha; suturando-o nas bordas cirúrgicas. Remoção após 2 ou mais dias (Souza-Filho et al., 2001).

 Casos Clínicos

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A terapêutica medicamentosa deve ser feita apenas nos casos que apresentarem sinais e sintomas sistêmicos, já citados anteriormente, principalmente nos casos difusos. Nos casos mais graves, pode-se utilizar a associação com metronidazol. Nos casos que não apresentarem tais sintomas, não existe nenhuma necessidade da cobertura antibiótica. Mas é muito comum o uso dos mesmos em vários casos desnecessários, pois assim, o dentista medica a sua dor na consciência por não saber ou apresentar medo (culpa atribuída a eles mesmos ou às instituições que os formaram) de executar esse simples procedimento que virá a livrar o organismo do lixo (pus) acumulado na profundidade dos tecidos.


Antibioticoterapia

 

45 min. Pré

Pós-operatório

Amoxicilina

1 grama

500 mg 8/8 hs

Clindamicina

600 mg

300 mg 6/6 hs

Amoxicilina +Metronidazol

1 g/250mg

500 mg/250 mg 8/8 hs

Eritromicina

1 grama

500 mg 6/6 hs

Duração média de 5 dias dependendo do curso da infecção


Controle da dor

 

Pós-operatório

Dipirona

500 mg 4/4 hs

Paracetamol

750 mg 6/6 hs


Andrade, 1998


Para maiores informações sobre o dianóstico de abscessos, baixe o organograma de diagnóstico de abscessos clicando aqui.


Leia também os artigos sobre diagnóstico pulpar e periapical partes I (clique aqui) e II (clique aqui).

 

 Referências:

Andrade ED Protocolos indicados na prática odontológica em: Terapêutica Medicamentosa em Odontologia Andrade ED 1999 ed. Artes Médicas 1ª ed. 149-83.

Baker KA & Fotos PG The Management of Odontogenic Infections: A Rationale for Appropriate Chemotherapy Dent Clin N Amer 1994; 38(4): 689-706.

Moreira RWF, Laureano Filho JR, Mazzonetto R, De Moraes M Abscesso Periapical Agudo: Diagnóstico, Prognóstico, Complicações e Tratamento Rev Assoc Paul Cir Dent 1999; 53(3): 197-200.

Peterson LJ Infecções Odontogênicas Complexas (a) em: Cirurgia Oral e Maxilofacial Comtemporânea Peterson LJ, Ellis III E, Hupp JR, Tucker MR 2000 3ª edição ed. Guanabara- Koogan: 412-25.

Sousa ELR Estudo Bacteriológico de Canais Radiculares Associados a Abscessos Periapicais Dissertação de Mestrado FOP-UNICAMP 2000
Souza-Filho FJ, Gomes BPFA, Ferraz CCR Drenagem de Abscessos Periapicais em: Livro do 20º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo 2001.
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