Instrumentação

Instrumentação Rotatória com a Sequência K3 RS6

Nível: Intermediário

A instrumentação endodôntica rotatória enfrenta um grande problema no Brasil, o custo dos instrumentos de Níquel-Titânio. Como tais instrumentos foram desenvolvidos para serem descartados depois de poucos usos, diferente dos instrumentos manuais, os mesmos apresentam um risco muito grande de fratura com a sua repetida utilização. Assim, os Endodontistas utilizam as limas de NITI sempre com receio de que as mesmas virão a fraturar prematuramente, sem qualquer tipo de deformação ou aviso na maioria dos casos. Como o custo da sequência utilizada precisa ser diluído no número de tratamentos executados com uma só caixa de instrumentos, a maioria dos profissionais as utiliza perigosamente por repetidas vezes sem qualquer tipo de controle. Sendo muito difícil de se prever quando um instrumento irá fraturar, é praticamente impossivel de se responder a seguinte pergunta: quantos condutos eu posso instrumentar com determinado sistema?

Para que essa pergunta pudesse ser vagamente respondida, teríamos que saber a resposta de outras tantas, como: Qual sistema e qual sequência de limas? Com qual velocidade e torque cada um dos instrumentos é acionado? Quais curvaturas de quais condutos irão ser instrumentadas? Quais os protocolos utilizados previamente ao uso do sistema? Dentre outras.

Por quê é tão difícil saber a resposta para uma simples pergunta? Apenas porque o metal dos instrumentos sofre um grande desgaste durante cada toque na dentina, e esse desgaste varia conforme as condições envolvidas naquele momento. É bastante comum assistirmos aulas dos mais importantes professores do País, em congressos, encontros ou cursos, sobre diversos sistemas de instrumentação mecanizada. Cada sistema com seus instrumentos mais incríveis e revolucionários, até que, alguém na platéia faz a fatídica pergunta: professor, qual é o número de reutilizações sem risco de fratura? Aí, o professor esmurece e diz como se fosse a melhor resposta do mundo: nós recomendamos até 10 condutos com cautela. Aí a platéia começa a balbuciar: Como ficaria caro usar apenas 10 vezes, e ainda sem garantia quanto às fraturas. E assim a história se repete indefinidamente, sistema após sistema. Será que eles não entenderam que aqui, os dentistas trabalham com planos de saúde que pagam míseros 100 a 200 reais por molar? Como poderiamos aumentar 70 reais no custo por tratamento endodôntico de molar, recebendo isso do convênio? Mesmo considerando pacientes particulares, o gasto por dente por sessão (que hoje gira em torno de 60 a 80 reais) dobraria com esse custo extra! Será que isso valeria a pena em troca de um pouco de conforto e rapidez na instrumentação? Talvez não!

Dessa forma, estava na hora de alguma coisa ser feita a esse respeito. Como não temos poder sobre o preço dos instrumentos, será que não existe uma maneira de aumentar o número de suas reutilizações? Pra responder isso, precisaríamos primeiro entender os motivos das fraturas desses instrumentos e em seguida adotar meios e métodos que evitassem esses motivos. Será que isso é fácil? Não, por isso demorei tantos anos para preparar minha tese de Doutorado, onde depois de entender quais os motivos mais importantes das fraturas desses instrumentos, desenvolvi uma sequência que nos possibilitaria controlar esses fatores, minimizando-os ao máximo, e permitindo-nos levar a liga de NITI ao seus limites. Então, poderíamos finalmente controlar o número de utilizações de cada instrumento. Assim nasceu a sequência K3 RS6, ou Rotatória com Segurança em 6 instrumentos. A sequência foi desenvolvida para ser utilizada com o mínimo de fraturas possível, mesmo estendendo os usos em até 60 condutos. Para isso foi necessário que uma certa numeração de instrumentos fosse usada, e como a Lima K3 da Sybron Endo é um dos poucos instrumentos a apresentar tais numerações, ela foi a lima escolhida para compor a sequência. Além disso, segundo a literatura, é um dos instrumentos mais resistentes tanto em regime de flexão como de torsão, possui uma ótima capacidade de corte, além de uma grande variedade de tamanhos de ponta e conicidade que podem ser utilizadas para alargamento extra em diversos grupos dentais.


O kit é composto por dois instrumentos de alargamento cervical e médio, o 30/.06 abre espaço para o 25/.10, que faz a substituição das brocas de Gates-Glidden. Depois disso, faz-se a odontometria e utilizam-se os instrumentos apicais de 15 a 25/.06 no comprimento apical desejado. Nós recomendamos que os instrumentos apicais ultrapassem em 1 mm a medida do forame obtida pelo localizador eletrônico. Condutos constritos necessitam que se inicie com o instrumento 15/.04, antes de utilizar os de conicidade .06. Devido à conicidade .06 dos instrumentos apicais, o risco de fratura fica reduzido em canais com curvaturas leves, porém, dependendo do conduto, os instrumentos 20 e 25/.06 podem ter dificuldade em ultrapassar o forame. Isso acontece pelo reduzido alargamento do terço médio para apical. Nesse caso, qualquer medida que amplie melhor essa região facilita a penetração dos instrumentos apicais. Isso pode ser feito com a recapitulação dos instrumentos 30/.06 e 25/.10 mais profundamente do que no uso inicial dos mesmos ou dependendo do alargamento necessário, apenas a penetração do 25/.10 de 1 a 2 mm a mais, resolve o problema. Atentem para as curvaturas, instrumentos rígidos devem evitá-las. Em seguida é só continuar a sequência apical até o comprimento desejado. O cartão de instruções também sugere outras maneiras de resolver o problema.

Em caso de necessidade de ampliação maior na região apical, pode-se repetir o uso da lima 30/.06, que foi usada até o terço médio, agora no comprimento de trabalho, mas apenas em dentes com curvaturas leves, pois é um instrumento com certa rigidez que pode provocar desvios. Instrumentos extras, não inclusos no kit básico, são recomendados a partir do 30/.04 até o 60/.04, e podem ser adquiridos separadamente. As numerações 30 a 40/.04 são extremamente úteis em ampliações apicais de pré-molares, molares, incisivos inferiores e laterais superiores. Numerações maiores podem ser usadas em incisivos centrais superiores, condutos com forame inicial amplo e em retratamentos. Lembre-se que é importante verificar a lima anatômica inicial (LAI) no momento da odontometria, e que o alargamento apical final (lima anatômica final, LAF) deve alcançar pelo menos três limas consecutivas maiores que a LAI. Por exemplo, se a LAI foi #25, a LAF tem que ser no mínimo a #40. Um cartão de instruções da sequência RS6 está disponível para download na seção de Downloads. Clique aqui para baixar o cartão. A ficha para o controle do número de usos de cada instrumento pode ser baixada clicando aqui. Se tiver dificuldades ou quaiquer dúvidas no uso do sistema, entre em contato conosco pelos emails do menu Contatos no topo da página inicial. Dezenas de profissionais já usam diariamente em suas clínicas, levando maior confiabilidade à prática diária pelo controle da tão temida fratura de instrumentos rotatórios. Caso ainda não tenha lido, recomendamos também o artigo Introdução à Instrumentação Rotatória. O vídeo explicativo do uso da sequência pode ser visto clicando aqui.

Para saber mais sobre a aquisição do kit K3 RS6, clique aqui.

Para obturação, recomendamos a leitura do cartão de instruções disponível para download na seção Downloads no alto da página principal. Clique aqui para baixar o cartão de obturação.

Lita também o artigo Desvendando a Fratura de Instrumentos Rotatórios que abordará em detalhes os motivos envolvidos na fratura inadvertida desses instrumentos de níquel titânio.

 

 Referências:

Separation Incidence of Protaper Rotary Instruments: A Large Cohort Clinical Evaluation. Susan Wolcott, James Wolcott, David Ishley, Wade Kennedy, Scott Johnson, Scott Minnich, and John Meyers J Endod, 32:1139 –1141, 2006.

Defects in ProTaper S1 instruments after clinical use: longitudinal examination. B. Peng, Y. Shen, G. S. P. Cheung & T. J. Xia International Endodontic Journal, 38, 550–557, 2005.

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Comparative study of six rotary nickel–titanium systems and hand instrumentation for root canal preparation. A. Guelzow, O. Stamm, P. Martus & A. M. Kielbassa International Endodontic Journal, 38, 743–752, 2005.

Hand and nickel-titanium root canal instrumentation performed by dental students: a micro-computed tomographic study. M. Peru, C. Peru, F. Mannocci, M. Sherriff, L. S. Buchanan and T. R. Pitt Ford Eur J Dent Educ, 10: 52–59, 2006.

Deformation and fracture of RaCe and K3 endodontic instruments according to the number of uses. C. H. Troian, M. V. R. So´ , J. A. P. Figueiredo & E. P. M. Oliveira International Endodontic Journal, 39, 616–625, 2006.

Fracture of ProFile nickel–titanium rotary instruments: a laboratory simulation assessment. P. M. Di Fiore, K. I. Genov, E. Komaroff, A. P. Dasanayake & L. Lin International Endodontic Journal, 39, 502–509, 2006.

 

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